Em meio às dificuldades enfrentadas pelo esporte amador brasileiro, uma batalha silenciosa vem sendo travada no estado do Piauí. A poucos dias do Campeonato Norte-Nordeste de Atletismo 2026, que será realizado no final do mês de maio, em Recife, atletas piauienses treinam intensamente enquanto dirigentes da Federação Piauiense de Atletismo lutam contra um adversário ainda maior que o cronômetro: a falta de apoio financeiro e estrutural.
Durante o programa “Mais Cidadania no Ar”, transmitido pela Rádio Verona FM 87.9, em Teresina, a presidente da Federação Piauiense de Atletismo, Maria da Paz, e a diretora executiva Bruna Sabrina emocionaram os ouvintes ao relatarem os desafios enfrentados para garantir a participação da seleção piauiense na competição regional.
Segundo Maria da Paz, a federação voltou recentemente às atividades após anos de paralisação e já conseguiu realizar importantes eventos locais, como o Festival Cláudio Roberto — homenagem ao medalhista olímpico piauiense Cláudio Roberto — e o Campeonato Piauiense Adulto, competição seletiva que definiu os atletas convocados para representar o estado no Norte-Nordeste.
Mas o maior obstáculo veio depois da classificação.
Sem apoio suficiente dos órgãos públicos, a federação iniciou uma verdadeira força-tarefa para arrecadar recursos e garantir o deslocamento dos atletas até Recife. Rifas, campanhas solidárias, pedidos de ajuda e mobilização nas redes sociais passaram a fazer parte da rotina das dirigentes.
“Eu prefiro pedir ajuda do que deixar os atletas passarem pelo que nós passamos”, declarou Maria da Paz durante a entrevista, relembrando os anos em que também foi atleta e enfrentou dificuldades semelhantes.
A realidade relatada pelas representantes da federação escancara um problema antigo do esporte piauiense: muitos atletas revelados no estado acabam migrando para outras regiões do país em busca de melhores condições de treinamento, bolsas esportivas e apoio institucional.
Bruna Sabrina, que também retornou recentemente às competições como atleta do arremesso de peso, destacou que o atletismo vai muito além das provas disputadas nas pistas.
“O atleta precisa de tênis, alimentação, suplementação, transporte e estrutura para treinar. A bolsa ajuda, mas não resolve tudo”, explicou.
Ela também chamou atenção para a diferença entre o atletismo de pista e a corrida de rua, destacando que muitos jovens talentos sequer possuem condições de adquirir equipamentos básicos para competir.
Atualmente, a Federação Piauiense de Atletismo tenta garantir não apenas a ida dos atletas ao Norte-Nordeste Adulto, em Recife, mas também as futuras participações nas categorias Sub-18 e Sub-16, previstas para acontecer ainda este ano em Sergipe e Fortaleza.
O programa Mais Cidadania no Ar destacou ainda que o atletismo é uma das modalidades esportivas mais inclusivas do mundo, sendo frequentemente porta de entrada para crianças e adolescentes oriundos de comunidades periféricas.
Apesar disso, segundo os entrevistados, o apoio institucional ainda é insuficiente para transformar talentos em campeões nacionais e internacionais.
Mesmo diante das dificuldades, o espírito de resistência permanece vivo.
Entre treinos, campanhas solidárias e sonhos olímpicos, os atletas piauienses seguem firmes, determinados a mostrar que o Piauí também produz campeões — dentro e fora das pistas.